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15/01/2021 16:01

Fatores de risco para o câncer de colo de útero

Você conhece os fatores de risco para o câncer de colo de útero? A maioria das pessoas responderia HPV, correto? Sim, está! Porém, existem fatores associados aos hábitos de vida que potencializam a oncogenicidade viral, aumentando as chances de desenvolvimento desta neoplasia.

 

Para abordarmos esse importante assunto, o qual envolve desde crianças até adultos de ambos os sexos, fizemos esse artigo, que contou com a participação do cirurgião oncológico do Centro de Oncologia do Paraná, Dr. William A. Casteleins. Confira!

                                        

Além do HPV, quais os outros fatores de risco para o câncer de colo uterino?

 

Devido às campanhas do Ministério da Saúde, a maioria das pessoas sabe que o câncer de colo uterino tem como principal causa a infecção persistente pelo papilomavírus humano, mais conhecido pela sigla HPV. Este vírus está tão intimamente relacionado à doença, que pode ser detectado em praticamente todas as pacientes (99,7%) com a neoplasia.

 

O HPV é extremamente comum na população e causa uma séria de lesões na pele e nas mucosas, as famosas verrugas virais. Existem muitos subtipos deste vírus, mas nem todos causam câncer no útero. Os que possuem maior oncogenicidade, ou seja, chance de transformação neoplásica maligna, são os subtipos 16, 18, 31 e 33. Outros, menos frequentes no Brasil, são os subtipos 39, 45, 51, 52, 56, 58, 59, 68, 69 e 82.

 

De um modo geral, quase todos os casos de carcinoma do colo uterino estão relacionados ao HPV. Porém, existem fatores que aumentam a chance de uma pessoa exposta ao vírus desenvolver este câncer. São eles:

 

  • início precoce da vida sexual: estudos mostram que o início antes dos 18 anos de idade dobra o risco em comparação com idade acima de 21 anos (entre 18 e 20 anos o risco aumenta 1,5 vezes);
  • múltiplos parceiros sexuais: o risco aumenta quase duas vezes para mulheres que possuem dois parceiros ao longo da vida, e três vezes para mulheres que possuem seis ou mais parceiros, em comparação com aquelas que têm apenas um parceiro;
  • parceiro de alto risco: o qual possui múltiplas outras parceiras ou que sabidamente é portador de HPV;
  • história pessoal anterior de infecções sexualmente transmissíveis, como clamídia e herpes genital;
  • primeiro parto com menos de 20 anos de idade e multiparidade (três ou mais filhos): isso se relacionada a uma exposição maior ao HPV, devido ao aumento da atividade sexual;
  • história prévia de neoplasia intraepitelial cervical (NIC) ou vulvar (NIV), que são lesões precursoras do carcinoma de colo uterino e do carcinoma de vulva, ambas relacionadas também ao HPV;
  • imunossupressão: principalmente devido à infecção pelo HIV.

 

Causas que não estão diretamente ligadas ao HPV:

 

Além dos fatores de risco ligados ao HPV, existem os denominados externos, ou seja, que vão além do papilomavírus humano. Nesse caso, podemos citar:

 

  • baixo índice sócio-econômico: devido à menor chance de acesso aos serviços de saúde, entre outras razões;
  • uso de contraceptivos orais: diversos estudos mostram que o risco aumenta, quase dobrando, com o tempo de uso de anticoncepcionais acima de cinco anos, pois teoricamente, as mulheres tenderiam a ter relações sexuais sem uso de preservativos;
  • tabagismo: está relacionado ao aumento em até 50% do risco para carcinoma escamocelular (mas não de adenocarcinoma) de colo uterino 5. Além disso, há correlação direta entre a doença e o número de cigarros fumados;
  • fatores genéticos: apesar de não haver um modelo de risco bem estabelecido em bases genéticas para o colo uterino, estudos populacionais mostraram um aumento na incidência dentro da mesma família. Até alguns anos, acreditava-se que membros do mesmo núcleo familiar compartilhavam os mesmos fatores de risco, mas isso não pôde ser comprovado. Mais recentemente, os estudos buscam determinar associações genéticas para o câncer do colo uterino, porém nada ainda específico neste sentido.

 

Importância da prevenção:

 

De um modo geral, as alterações relacionadas com a formação do carcinoma de colo uterino podem ser facilmente detectadas no exame preventivo, que é o exame de Papanicolau, realizado rotineiramente nos consultórios de ginecologia e também nas Unidades de Saúde Básica de todo o Brasil.

 

Em um exame realizado em consultório é realizada a coleta de material para análise, de maneira completamente indolor para a paciente, o qual é enviado a um laboratório. Diversas mudanças celulares que precedem a ocorrência do câncer podem ser detectadas ao microscópio, daí dizer que o exame é "preventivo¨ para este tipo de câncer.

 

Alterações iniciais podem ser tratadas e curadas, na quase totalidade dos casos, quebrando o ciclo de alterações induzidas pelo HPV, que levariam ao câncer 6. Por isso o exame deve ser realizado rotineiramente, a cada um ou dois anos, em todas as mulheres, após o início da vida sexual.

 

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Referências:

1 – Walboomers JM, Jacobs MV, Manos MM, et al. Human papillomavirus is a necessary cause of invasive cervical cancer worldwide. J Pathol 1999; 189:12.

 

2 - Comparison of risk factors for invasive squamous cell carcinoma and adenocarcinoma of the cervix: collaborative reanalysis of individual data on 8,097 women with squamous cell carcinoma and 1,374 women with adenocarcinoma from 12 epidemiological studies. Int J Cancer 2007; 120:885.

 

3 – Singh GK, Miller BA, Hankey BF, Edwards BK. Area Socioeconomic Variations in U.S. Cancer Incidence, 1975-1999. National Cancer Institute; Bethesda, MD 2003.

 

4 - Appleby P, et al. Cervical cancer and hormonal contraceptives: collaborative reanalysis of individual data for 16,573 women with cervical cancer and 35,509 women without cervical cancer from 24 epidemiological studies. Lancet 2007; 370:1609.

 

5 - Appleby P, et al. Carcinoma of the cervix and tobacco smoking: collaborative reanalysis of individual data on 13,541 women with carcinoma of the cervix and 23,017 women without carcinoma of the cervix from 23 epidemiological studies. Int J Cancer 2006; 118:1481.

 

6 - Estimativa 2020: incidência de câncer no Brasil - Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva, Rio de Janeiro: INCA, 2019, página 38.

7 - Liu L, et al. Association between TNF-α polymorphisms and cervical cancer risk: a meta-analysis. Mol Biol Rep 2012; 39:2683.

 

© Copyright (todos os direitos reservados) para o Dr. William A. Casteleins, CRM-PR 24.807

 

 

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